Operação da PF prende 13 pessoas em quatro estados em nova operação contra líderes de seita religiosa

operacao

Em Pouso Alegre, foram interditados os restaurantes “Circuito das Águas” e “Café Bourbon”. Todos esses estabelecimentos seriam comandados pela seita religiosa. Conforme as investigações, os funcionários desses estabelecimentos eram fiéis que não recebiam pelo trabalho.pocosgrill2

pocosgrill

Segundo as investigações da Polícia Federal, mesmo após duas outras operações realizadas em 2013 e 2015, os líderes da seita continuaram a cometer crimes de exploração. A seita estaria em plena expansão, com novas fazendas sendo adquiridas em vários estados. A promessa do grupo, conforme a PF, é que a “besta” estaria vindo e dentro das comunidades, todos estariam protegidos no dia do apocalipse. Em 2016, 43 pessoas ligadas à seita foram indiciadas pela Polícia Federal por crimes como lavagem de dinheiro e trabalho escravo.

Os trabalhos também acontecem nas cidades de Contagem, Betim, Madre de Deus e Andrelândia (MG), além do estado da Bahia, em Ibotirama, Luiz Eduardo Magalhães, Wanderley e Barra, e São Paulo (SP).GriLEM2

 Restaurante interditado em Luiz Eduardo Magalhães 

GrilLEM

Além de manter trabalhadores em condições de escravos, os líderes da seita religiosa são investigados por tráfico de pessoas, estelionato, organização criminosa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Os líderes teriam aliciado pessoas na sede de uma igreja em São Paulo (SP). As vítimas foram induzidas a doarem todos os bens para a organização criminosa. Depois de trabalhos psicológicos e de doutrina, as pessoas eram levadas para centros de convivência em zonas rurais e urbanas de Minas Gerais, Bahia e São Paulo.

Nos locais, eram submetidos a trabalhos em estabelecimentos comerciais e lavouras sem remuneração. Com o trabalho escravo e a apropriação de bens das vítimas, os líderes viviam de patrimônios luxuosos e altos faturamentos.

As investigações apontaram que o grupo também conseguiu expandir investimentos para o estado do Tocantins, com exploração ilegal.

Com a terceira frase da operação nesta terça-feira, os investigados podem cumprir até 42 anos de prisão, em caso de condenação. Segundo a polícia, a operação é uma referência bíblica à terra prometida.

G1 tenta contato com os advogados da seita religiosa, mas até a publicação desta reportagem, ainda não tinha conseguido retorno.

Operação “Canaã” em 2013

A seita começou a ser investigada em 2011, e os trabalhos resultaram na deflagração da “Operação Canaã” em 2013, quando a Polícia Federal, o Ministério do Trabalho e Emprego e o Ministério Público do Trabalho fizeram inspeções em propriedades rurais. As precárias condições de alojamento e trabalho foram denunciadas aos órgãos.

Na época, cerca de 800 integrantes da organização moravam em cinco fazendas em São Vicente de Minas e Minduri. Conforme as investigações da época, foi identificado um sofisticado esquema de exploração do trabalho humano e lavagem de dinheiro levado a cabo por dirigentes e líderes religiosos.

Dois membros da seita religiosa “Jesus a verdade que marca” foram presos por apropriação indébita de cartões do programa “Bolsa Família” e de aposentadoria durante a operação.

Operação “De Volta para Canaã” em 2015

Já em 2015, uma nova operação prendeu seis líderes da seita religiosa. Segundo a PF, o pastor que é um dos principais líderes da organização foi preso em Pouso Alegre (MG), e outras cinco pessoas, que formariam a cúpula da seita religiosa, foram detidas em Minas Gerais e Bahia.

Além disso, foram bloqueados bens que pertencem aos líderes da seita, entre eles 39 imóveis rurais em Minas Gerais e Bahia, além das contas físicas e jurídicas dos envolvidos.

Fonte:G1